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“Embora a causa próxima da EA não seja conhecida, sabemos que é necessária a interacção entre uma forte predisposição genética e uma infecção provocada por certos tipos de bactérias. O componente genético pode ser identificado através da presença do antigénio HLA-B27. Este marcador é positivo na grande maioria, mas não em todos os doentes com EA. Deve, contudo, ter-se em conta que a maioria dos indivíduos que apresentam este antigénio nunca virão a ter esta doença.”

Prof. Jaime C. Branco

A EA pertence a um grupo de doenças chamado espondiloartropatias. As doenças que pertencem a este grupo têm características idênticas tipificadas por inflamação, quer das articulações, quer das inserções dos tendões nos ossos.

Na população ocidental, existem entre 0,5 a 5 casos de EA por 1000 habitantes. Aparentemente, os homens são mais frequentemente afectados do que as mulheres, numa proporção que varia, conforme os estudos, mas andará à volta de dois a três homens por cada mulher. Outros trabalhos apontam para o facto da EA ter uma prevalência idêntica nos dois sexos, mas ser mais aparente nos homens porque se inicia em idade mais jovem e é potencialmente mais grave no sexo masculino.

Sintomas Frequentes

Os sintomas da EA começam habitualmente, no adulto jovem, de forma insidiosa, com dor na região lombar baixa com rigidez, sobretudo matinal após o levantar da cama. Esta dor localizada nas articulações sacro-ilíacas aparece sobretudo ou até exclusivamente durante o repouso nocturno – por vezes acordando mesmo o doente – e melhora com o movimento – pelo que os doentes muitas vezes se levantam e após algum movimento, a dor alivia e o doente volta para a cama.

Como já se disse, a EA inicia-se na maioria das vezes de forma lenta pelo que, apesar das queixas serem claras e específicas, o diagnóstico correcto pode ser só realizado ao fim de alguns anos de evolução. As dores são muitas vezes referidas nas nádegas e, não raramente, de forma basculante, ora de um lado, ora do outro. Numa reduzida percentagem de doentes, este quadro clínico apresenta-se transitoriamente acompanhado por febre, falta de apetite e emagrecimento.

Embora na EA os sintomas sejam exclusivamente ou maioritariamente axiais (i.e. das articulações da coluna), em cerca de 1/3 dos doentes também aparecem artrites periféricas, sobretudo dos membros inferiores (i.e. ancas e tornozelos) mas que também podem afectar os membros superiores (i.e. ombros, punhos e cotovelos). Ao contrário da artrite reumatóide, a artrite periférica da EA não é simétrica e raramente se encontram mais de quatro articulações atingidas.

A EA também pode apresentar manifestações extra-articulares de que se destaca, pela frequência e gravidade, a uveíte que é uma inflamação ocular aguda, habitualmente unilateral que ocorre em 1/3 dos doentes. Mais raramente, podem aparecer sintomas cardíacos, pulmonares ou vasculares.

Esta doença chama-se espondilite anquilosante exactamente porque o compromisso das articulações da coluna pode originar anquilose. Este termo significa redução de amplitude de movimentos que pode evoluir até à restrição completa dos movimentos, principalmente da coluna lombar e coluna cervical mas que pode afectar toda a coluna, o que prejudica os movimentos de expansão torácica necessários para a ventilação respiratória. Quando afectadas as articulações periféricas, sobretudo a anca, também podem evoluir para “anquilose”.

Com a anquilose, as deformações vão-se tornando aparentes ao nível da coluna vertebral dos doentes.

Fonte: Jornal Centro de Saúde